Proposta metodológica para a análise do risco socioambiental de barragens de rejeito de mineração do estado de Goiás (Brasil)

Marcelo Bernardi Valerius, Eraldo Henriques de Carvalho

Resumo


A gestão adequada das barragens de rejeitos diminui os impactos ambientais da operação destas estruturas e, sobretudo, evita acidentes catastróficos. Neste artigo é proposta uma ferramenta, baseada na metodologia utilizada para a obtenção do Índice de Qualidade de Aterros de Resíduos (IQR), para avaliação do risco socioambiental causado por barragens de rejeitos. O Índice de Gestão do Risco Socioambiental de Barragens de Rejeitos (IGERIS-BR) considera as características do rejeito e da área escolhida para a implantação da barragem, os danos potenciais em caso de ruptura, os critérios adotados no projeto e na execução da barragem, o monitoramento geotécnico e ambiental, os procedimentos de operação, manutenção e monitoramento e, por fim, os aspectos inerentes à gestão ambiental da barragem. A metodologia foi aplicada a quatro barragens existentes no estado de Goiás, dentre as quais duas tiveram a gestão do risco socioambiental avaliada como satisfatória, uma como insuficiente e uma como inadequada. Os resultados obtidos foram comparados com a classificação utilizada no Brasil pela Agência Nacional da Mineração (ANM), mostrando que a metodologia brasileira deve passar por adequações e ser atualizada. A ferramenta proposta revelou-se simples e útil, podendo ser utilizada por órgãos fiscalizadores e empresas para a gestão do risco socioambiental.


Palavras-chave


Barragens de rejeito, avaliação de risco socioambiental, mineração

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