Periódico de Acesso Aberto
0.5
Indexada na
SCOPUS
B2
2021-2024
quadriênio
Planejamento e Meio Ambiente | v. 14 n. 2 (2026)
Manuel António Henriques dos Reis Lopes
Informações do autor
Publicado em janeiro 30, 2026
R E S U M O
Este artigo analisa os impactos das alterações climáticas sobre a cultura do dendê (Elaeis guineensis) na região de Belém, Pará, influenciadas pela atuação do fenômeno La Niña com base em dados agrometeorológicos da estação da Embrapa Amazônia Oriental referentes ao ano de 2022, comparados à média climatológica de 1967 a 2021. Embora o foco seja a cidade de Belém, os dados analisados são considerados representativos das condições edafoclimáticas predominantes em áreas produtoras da Amazônia úmida, permitindo inferências aplicáveis a outras regiões de cultivo do dendê. O estudo adota uma abordagem exploratória-descritiva, utilizando o método de Penman-Monteith para estimar a evapotranspiração de referência e o balanço hídrico, além de avaliar variáveis críticas como temperatura, precipitação, radiação solar, umidade relativa e vento. Os resultados revelam que, embora a temperatura média anual (26,7 °C), a umidade relativa (85%) e os níveis de insolação tenham se mantido dentro das faixas ideais para a cultura, foram observadas anomalias relevantes, como déficits hídricos em meses estratégicos e menor radiação solar no primeiro quadrimestre, afetando a fotossíntese e o enchimento dos frutos.
A produtividade estimada foi de 20,2 t/ha de cachos frescos (CFF), 4,4 t/ha de óleo de palma e 0,5 t/ha de óleo de palmiste (kernel), equivalente a aproximadamente 80% do potencial ideal. Em comparação com outros países produtores (Colômbia, Malásia e Indonésia), o Brasil demonstrou resiliência produtiva. O estudo conclui que, com manejo adequado, o cultivo do dendê na Amazônia é técnica e economicamente viável mesmo sob condições climáticas desafiadoras.
